Em artigo publicado no Brazil Journal, Henrique Ceotto, sócio da McKinsey em Belo Horizonte, fala sobre o papel do CEO e suas responsabilidades neste cenário 

Henrique Ceotto

Em artigo publicado pelo Brazil Journal sobre Indústria 4.0, foram levantados os pontos cruciais para a melhoria da produtividade no Brasil e o papel fundamental que o CEO precisa assumir para que isso aconteça. Identificar gargalos, buscar e identificar qual a melhor solução para atenuar o respectivo problema e acompanhar de perto sua implementação. Foi-se o tempo em que o presidente de uma companhia poderia apenas delegar as funções relacionadas a Recursos Humanos. Hoje está nítido e explícito o potencial de impacto que a tecnologia possui nos índices operacionais e financeiros.

Para nosso CEO, Jacob Rosenbloom, nem a mais avançada das tecnologias será capaz de substituir um colaborador humano sequer.

“A sensibilidade de um ser humano não pode ser traduzida em números para desenvolver um algoritmo. Existem nuances que só uma pessoa de carne e osso consegue alcançar. E, por outro lado, ainda falando sobre o fator humano, a melhor forma de reconhecer a contribuição dada por um colaborador é retirar de sua responsabilidade tarefas repetitivas e maçantes, que nada acrescentam às suas habilidades e que não o destacam perante o restante da empresa, e atribuí-las à ação de uma plataforma de inteligência artificial”, acredita.

Outro insight trazido por Rosenbloom é que a maioria dos executivos já se deram conta de quanto este valor impacta diretamente no orçamento.

Um estudo da IBM no mundo mostra que 66% dos CEOs acreditam que a computação cognitiva pode gerar ‘valor significativo’ na área de RH. Mas vale a provocação: será que no Brasil este número também é alto? Ou ainda há presidentes de empresas achando que essa não é uma prioridade? E, mesmo sabendo que, para 43% deles, a estratégia está neles concentrada, será que estes executivos estão buscando inovações para levar para dentro da empresa?” – Jacob Rosenbloom, CEO da LEVEE.

Por fim, este fato a que Henrique Ceotto se refere no artigo, sobre a falta de produtividade do colaborador brasileiro ser um fator a mais de pressão na rotina do CEO, é uma relação que também sempre fazemos aqui na LEVEE. Em um white paper que produzimos recentemente para nossos clientes, nos baseamos em um estudo da Fundação Getúlio Vargas, que mostra que cada trabalhador brasileiro gera, em média, US$ 16,80 por hora trabalhada e que até mesmo países com situação econômica menos favorecidas apresentam índices superiores. No México, por exemplo, o índice é de US$ 20,30. Já quando comparado a países como Alemanha e Estados Unidos, a distância entre os valores é ainda maior, US$ 64,40 e US$ 63,40, por hora, respectivamente.

Matéria na íntegra Brazil Journal

O CEO brasileiro é o que carrega a maior responsabilidade em liderar sua organização no caminho da digitalização. Em uma pesquisa recente da McKinsey, 43% dos executivos confirmaram que o C-level é quem deve ser responsável pela estratégia 4.0 da companhia – o dobro da média global.

A pressão vem principalmente pela baixa produtividade brasileira, 70% menor que a de países como Japão, Estados Unidos e Alemanha. A lacuna continua a aumentar, pois nossa produtividade cresce somente a metade da velocidade desses países.

Dois terços das empresas testaram ou estão testando soluções digitais como internet das coisas; métodos estatísticos avançados (‘advanced analytics’), para manutenção preditiva e previsão de demanda; e automação, que vai desde o uso de robôs a veículos autônomos. Apesar da onda de interesse sobre o tema, os executivos não estão conseguindo tirar total proveito das tecnologias que tornam suas indústrias mais competitivas.

Poucas transformações digitais decolam com sucesso. O mesmo estudo mostra que quase 70% das empresas que iniciaram pilotos estão lutando para seguir em frente e entregar um impacto sustentável em escala. Soluções que poderiam criar uma verdadeira vantagem competitiva acabam perdidas na selva tecnológica. Isso mostra que o estímulo de começar a elaborar soluções nem sempre se traduz nas implantações necessárias para gerar impacto no negócio.

É comum que a equipe executiva se sinta confusa sobre como navegar por essas quatro áreas. O resultado, na maioria das vezes, são soluções que não proporcionam a melhoria esperada de produtividade, custo, qualidade ou confiabilidade.

Para ter sucesso na Indústria 4.0 e fazer isso em escala, não basta se apegar somente à tecnologia. É preciso uma transformação completa, passando pela estratégia de negócios, cultura organizacional, capacitação da liderança e funcionários, além das soluções de tecnologia.

O valor surge a partir da combinação das ferramentas e das pessoas que as utilizam. Por exemplo, se você é uma indústria de transformação e seus engenheiros de processo não entendem como métodos de estatística avançada funcionam (e/ou não foram diretamente envolvidos no desenvolvimento e implantação dos modelos), é muito provável que o impacto esperado não será entregue.

No Brasil e no mundo, vemos empresas com muito sucesso em suas transformações digitais. O segredo: concentre-se no impacto financeiro. O resultado de negócio raramente estará somente em uma solução de tecnologia, envolvendo também o refinamento de processos existentes, uma mudança na mentalidade da liderança e da organização e na capacitação das equipes que trabalharão com essas tecnologias.

Saber o que priorizar é fundamental.

* Henrique Ceotto é sócio da McKinsey em Belo Horizonte, de onde lidera o escritório de Minas Gerais e a prática de Metalurgia e Mineração no país.

 

Fonte: https://braziljournal.com/industria-40-como-fazer-o-piloto-sem-cair-no-purgatorio